I
A fonte do poeta se exauriu,
não há mais versos, rimas, poesias,
românticas estórias, fantasias...
tudo mingou, secou e se extinguiu.
Seu canto é sem encantos e alegrias,
seu estro, já sem brilho, sucumbiu
e, como odor ao vento, se esvaiu
nas suas noites longas e sombrias.
Enquanto aguarda o dia da partida,
lamenta ter chegado ao fim da vida,
sem esperanças e sem perspectivas;
não lhe restam quaisquer alternativas,
exceto esperar pelo fogaréu
que escolheu em lugar do mausoléu!
II
Poeta é terno lago refletor
das alegrias e dores alheias,
sente correr nas suas próprias veias
o carmesim do amor e desamor.
Interprete de vários sentimentos,
exulta, chora, ri, se desencanta;
nem sempre faz sorrir, nem acalanta,
compartilhando amor, ou sofrimentos.
É árvore frondosa, verso toco,
artífice divino ou nobre broco,
quando tenta explicar o transcendente;
é estrela brilhante, luz cadente,
espantalho refém do amor perfeito
colorindo o Universo do seu jeito.
III
Filósofo de bares nas esquinas,
ave noturna fã da solidão,
amante das florestas e campinas,
escravo das razões do coração;
astrólogo que busca no luar
a sua inspiração para compor
e que tem no universo secular
o jardim donde brota cada flor;
artífice real das fantasias
dos fantásticos sonhos surreais,
equilibrista mor, super atleta
que pinta desamores e alegrias
com seus lápis e tintas irreais;
eis meu auto retrato de poeta!
PFA/28.01.2018
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