Pai,
andei... andei...
busquei... busquei...
mas em vão busquei,
pois tudo que busquei,
inutilmente, onde não há busquei!
.
Busquei no Sol, nas estrelas, no luar,
na Terra, no Céu, no Mar,
nas flores, nas cores,
no mel, no fel...
busquei... busquei...
mas em vão busquei!
.
No pôr do Sol, nas madrugadas,
nas partidas, nas chegadas;
busquei sonhando e acordado,
no pródigo, no desgarrado...
Garimpeiro sem bateia,
busquei... busquei!
.
Busquei no carnaval e no natal,
no inverno e no verão,
na primavera, no outono,
em sonhos e acordado,
no amor, no ódio...
em tudo busquei,
mas busquei em vão!
.
Andei e busquei
em toda a natureza,
na riqueza, na pobreza,
na pureza, na beleza,
na crença, na religião,
no ceticismo do pagão,
na ofensa, no perdão,
nas crianças, no ancião...
.
Na felicidade e na desdita,
na condenada, na bendita,
na música e na poesia,
na real, na fantasia...
.
Na ciência, na ignorância,
Na humildade, na arrogância,
Na paz, na guerra,
Na alegria e na tristeza,
Busquei, busquei...
Mas, em vão busquei!
.
Andei... Andei...
Busquei... Busquei...
Cansei! Parei... Pensei... E concluí:
Tudo... Tudo que busquei,
Busquei em vão, Senhor,
Pois, em tudo, e em todos, nada achei
Comparável ao amor
Que só em Ti eu encontrei!
.
Perdoa-me Senhor.
.
Amém.



