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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Rio Parnaíba



Cidade, rio, faca lambedeira,
“Velho Monge”, carrasco, “mar ruim”,
imensidão de água corredeira,
saudade encravada sobre mim.

Há vida no teu leito e nas margens,
tuas praias e dunas branquicentas
são celeiros de amores e miragens
que florescem enquanto apascentas.

Viste nascer o meu primeiro amor,
crescerem meus idílios de esplendor
e florescerem as minhas paixões,

também, levaste as minhas ilusões
até ao teu Delta, e depois ao mar,
onde afogaste os meus sonhos de amar.


PFA/

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Meu pensamento


És o meu transporte favorito,
nos teus lombos percorro o infinito,
faço escalas em qualquer lugar
ou vasculho o Universo sem parar.

Refazes meus caminhos, passo a passo,
permites que eu repense os meus fracassos
mudando ou conservando os matizes
das horas e momentos mais felizes.

Conduzes-me nas trilhas do futuro,
livras-me dos abismos do escuro,
controlas meus impulsos e euforia!

Louvo ao  meu pensamento, o meu guia,
no passado, futuro e no presente
retrato do que minha alma sente!

PFA/

Sonhando acordado


Fecho os olhos e, na escuridão,
enxergo, na mais ampla claridão,
pessoas, momentos e situações
importantes nas minhas relações.

Sonho, divago, vôo nas alturas,
revivo alegrias e venturas,
mergulho em tristezas e pesares,
encontro-me em vários patamares.

Criança, adolescente e adulto
misturam-se em forma de um vulto
curioso, inquieto, sonhador.

Nesse redemoinho de torpor
vou muito além do além real
da minha alegoria surreal.


PFA/

domingo, 7 de julho de 2013

"Dor de cotovelo"




Praia de Jacaré, em Cabedelo,
faze-me sentir dor de cotovelo
quando entro no mar da recordação
e mergulho em vã fascinação.

Há na languidez do teu por do Sol
vida inversa à do arrebol,
o encanto do teu entardecer
contrasta com a glória do nascer.

Os amores que brotam no teu porto,
precocemente, findam em aborto,
um por do Sol têm como duração!

O teu fascínio é mera ilusão,
efêmera beleza, praia mística
mercadejada pra visão turística!

PFA/



sábado, 6 de julho de 2013

Saudosismo




Depois da missa, todos na pracinha,
em torno do coreto as mocinhas
pareciam anjinhos do capeta
curtindo o embalo da retreta.

Começava a troca de olhares,
e, aos poucos, iam se formando os pares,
primeiro passo para um namoro
marcado pelo rígido decoro.

O clima era de festividade,
principalmente, para a mocidade
que nem sequer via o tempo passar!

Mas, eis que de repente, num piscar,
o relógio da igreja repicava
nove horas, e a festa acabava!

PFA/


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Língua portuguesa

  










Aqui, no meu Brasil, de tudo há,
e mesmo sem plantar, as vezes dá!
Tem tudo do melhor, nascido cá,
mas, tudo que dá cá, não  tem por lá!

Manga-se de quem não tem manga, lá,
manga na manga, aqui, é o que mais dá,
manga de camisa, tem lá e cá,
mas, manga pra fifó, por lá não há!

Bota selo na bota e pela  sela.
Selo sela, mas, tendo pelo, pela!
Bota na bota, mas, não pelo pelo.

Sela a sela, toda, mas, sem selo,
selo não é pra pelo, selo pela,
      selo sela a sela, mas, pela o pelo!

PFA/

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Poder e sofrer



“Sofrem menos os que podem mais.”
João de Deus

A digladiação da humanidade
data da mais longínqua idade,
religiões, mulheres e poder
conduziram a glórias e sofrer.

Assim foi com a santa inquisição,
com Menelau, Dalila e Sansão,
com Hitler, Mussolini e com Nero,
alguns protagonistas de entrevero.

Força, dinheiro e beleza, versos
impossibilidades e reversos,
colocam-se opostos à razão

circunscrita a qualquer situação,
assim sendo, imola-se a paz
     e sofrem menos os que podem mais..

PFA/21.01.2013


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Maluco beleza




Eis-me aqui, depois da confusão
resultante da minha armação,
meditei e finalmente percebi
que é inútil tentar fugir de ti!

Declarei guerra ao mundo inteiro,
tornei-me um violento bagunceiro,
emburrei, bati o pé no chão
e perdi, por completo, a razão.

Envolto em problema e desencanto,
inundei o sertão com o meu pranto,
convivi com princesas e ralés

e, por fim, eis-me aqui no teu recanto
pra, maluco beleza,  aos teus pés
implorar-te perdão pro meu revés!

         PFA/


terça-feira, 2 de julho de 2013

O violeiro


Antonio Coelho era violeiro,
cantador dos melhores, no seu tempo,
reconhecido como o primeiro,
pela arte de rimar sem contratempo.

A Vila se enchia de alegria,
a moçada se vestia a rigor,
aguardando à hora da cantoria
e, prováveis, encontros de amor.

Os motes com lorotas, brincadeiras,
apontando as moças fofoqueiras,
e zombando dos homens pirangueiros,

assustavam, também, aos trambiqueiros,
e outros caras de pau, que só pagavam
com medo que rimasse o que pintavam.

PFA/

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Democracia?








Morcego pendurado pelos pés,
teimosia, loucura e revés,
contra mão, contra-senso, estupidez,
estorvo, estopim, insensatez.

Fim de linha, caixão, cova, viela,
contraste, Rapunzel e Cinderela,
passeata, protesto, convulsão,
palácio, injustiça, corrupção.

Excesso, marginal, impunidade,
anticristo, dinheiro, falsidade,
vida, morte, favela, burguesia.

Fome, horror, desordem, anarquia,
liberdade, terror, contradição,
praças e ruas, palcos da nação!

PFA/