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terça-feira, 19 de junho de 2012

Insônia



Pensamentos confusos, inquietude,
Lembranças da longínqua juventude,
Na cama, rolo pra lá e prá cá,
Levanto e vou pra sala rabiscar.

Falar de que? São João, Rio + 20,
Ver as manchetes do dia seguinte:
A eurocopa, Bolsas de Valores,
Grécia, Índia, vencedores, perdedores...

De que me vale tudo isso? Nada.
Quanta coisa difícil, complicada,
O que eu estou querendo é dormir!

Nada dessas besteiras vai surtir
O efeito desejado. Meu calmante
És tu, mesmo que, só por um instante!

PFA/19.06.2012

Brigas



Uma palavra dita a mais, basta,
E, também, quando dita a menos, falta,
Tudo incomoda, fere e desgasta,
Diálogo em baixa, briga em alta!

Tudo a troco de que, e por quê?
Eu não falo, você fica calada,
Qual a razão, o motivo, o porquê?
Nós sabemos que não existe nada!

Gestos infantis, sem razão de ser,
Só para nos fazer chorar, sofrer...
Ou seria malícia, masoquismo,

Loucura e excesso de lirismo?!
Fato é que, depois da briga, o amor
Parece refulgir com mais ardor!

PFA/18.06.2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Tuas mãos



Dois instrumentos de múltiplo uso
Que, muitas vezes, deixam-me confuso,
São excelentes, quando no labor,
E extraordinárias no amor.

Arrumam e espanam, lavam, passam,
Cozinham, alimentam, moem e amassam...
E depois, suaves, me fazem carícias
E afagos de exóticas delícias!

São especialistas no erotismo,
Fazem proezas dignas de heroísmo,
Erguem colunas, que jazem falidas,

Em prol da construção de novas vidas.
São as tuas mãos, mãos de tantas aptidões,
Mãos que clamam a Deus nas tuas orações!

PFA/16.06.2012

domingo, 17 de junho de 2012

O circo



Grande armação em forma de círculo,
Cheia de cores, um tanto pra ridículo,
Ou uma caixinha de divertimento
Que trás alegria a todo segmento?

É um ambiente festivo, dia-a-dia,
Promovendo bagunça e alegria
Com palhaços que encantam as crianças,
Fazendo piruetas e lambanças.

Pipoca, guaraná e pirulito,
Algodão doce e queijo no palito,
Completam a alegria da meninada,

Onde a platéia assiste fascinada:
Trapézio, globo da morte, ciclistas...
A vida e o circo são palcos de artistas!

PFA/17.06.2012


sábado, 16 de junho de 2012

Teu corpo



É impossível, ao enófilo, tomar
Uma única taça de um vinho
Gran Reserva, igualmente, é te beijar,
Quando em teu regaço me aninho.

O contato com o teu corpo quente
Trás gana, ânsia, desejo e paixão,
E acelera no meu subconsciente
A sexualidade e o coração.

Os vinhos têm aromas variáveis,
Teus lábios sabores incontáveis,
Teu corpo sensações indefiníveis

Que tornam meus sentidos mais sensíveis.
Beijar-te e abraçar-te, é degustar
Um garagem, é o start pra te amar.

PFA/16.06.2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Plebeu



Como esperar que tu me entendas,
Melhor tirar as minhas próprias vendas!
Por mais que eu explique não convenço,
Não faz sentido e falta bom senso.

Os meus recalques, as minhas mazelas,
São coisas só existentes em novelas,
Não justificam a minha incoerência,
Não obstante, em plena adolescência.

Ousei quebrar o nosso compromisso,
Com a minha fraqueza e meu sumiço
Feri e fiz sangrar o teu coração,

E tudo sem te dar explicação!
A justificativa, amor, é pobre,
Sou plebeu, minha deusa, e tu és nobre!


PFA/15.06.2012

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Teus olhos



Dois pontinhos fulgentes e excitantes
Pintados numa tela de brilhantes,
Límpida como a alva ou, lambuzada
Pela coloração exagerada.

Dois pontos cintilantes a irradiar
Mensagens de amor e provocar
Delírios e fantasias amorosas,
Declarações românticas e prosas.

Os seus fascínios eros enlouquecem,
Fazem milagres e rejuvenescem
Àqueles cuja idade se prolongou.

A natureza, por certo, exagerou
Na beleza e dotes que te deu!
Que bom, pois, tudo que tu tens é meu!


PFA/14.06.2012


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Esquecer!



Tentei, a todo custo, te esquecer,
Neguei-me a mim mesmo e quis morrer,
Então, fugi pra bem longe de ti.
De mim, de ti, do mundo, me escondi!

Entreguei-me à fé, à idolatria,
Desci às profundezas da fantasia,
Adormeci, e tentei não despertar,
Fiz trapaça tentando me enganar.

Contrariei as regras do bom senso,
Vivi a paz do delírio mais intenso,
E à imensidão do infinito
Impus limites e tornei finito.

Briguei com Deus e rompi com o mundo,
Convivi com as trevas do submundo,
Atingi o píncaro da revolta
E cheguei aos limites do ir sem volta.

Querendo tanto, tanto, te esquecer,
E buscando tanto fugir de ti,
Esqueci que não posso te esquecer,
Esqueci que não sei viver sem ti.

Como te esquecer, se estás dentro de mim?
Como viver sem ti, se és parte de mim?
Ah, eu descobri, a busca não foi a esmo,
Basta que eu esqueça de mim mesmo!

PFA/13.06.2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos namorados



Que lindo sonho, tive essa noite!
Luar brilhante, brisa sem açoite,
Vi todas as pessoas, sorridentes,
Num festival de troca de presentes;

Perfumes, beijos e abraços, flores,
Declarações e juras de amores,
Gentilezas, afagos e carícias,
Num mundo sem maldade nem malícias.

As estrelas, piscando cintilantes,
E os sons, vindos de orbes distantes,
Tornavam o ambiente suntuoso.

Vi um mundo divinal e mavioso
Só existente nos sonhos encantados
Daqueles que estão enamorados.

PFA/12.06.2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Condenação?



Só há duas opções: livra ou condena.
Perdoa de uma vez ou aplica a pena?!
Você sabe de tudo que aconteceu,
Estou em suas mãos, o arbítrio é seu.

Sou réu confesso, assumo, sou culpado!
Eu meu favor, há pouco a ser citado,
Apenas que errei por mera ignorância,
Mas, isto é de pouca relevância!

Se para você não há meio termo,
A lei e a consciência fazem-me enfermo
De uma moléstia quase incurável.

Mas, se condenar-me seja razoável,
Lembre-se de mim com misericórdia.
Perdão! Desejo-lhe paz e concórdia.

PFA/11.06.2012