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quinta-feira, 6 de junho de 2019

S-IIID -Iêmen, a face da miséria

TYLER HICKS/NYT


Iêmem, guerra, fome e vergonha,
insensatez, descaso, inclemências,
indiferença das grandes potências
diante do terror da vil peçonha.

As imagens que chocam o planeta
parecem divertir os comandantes
que se comportam como figurantes
solidários às hostes do capeta.

Nos mais de cinco anos que passaram,
entre os inocentes que tombaram
encontram-se crianças e idosos

vítimas dos confrontos belicosos
que assolam a nação iemenita
espalhando miséria e desdita.

PFA/

E-VIIAJ - Os apóstolos de Jesus 11

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11 – Judas Tadeu

Judas Tadeu, o décimo primeiro,
não Iscariotes, mas, Judas Tadeus,
irmão de Tiago, ou Judas Lebeus,
mostrou-se um converso verdadeiro.

É autor da Epístola de Judas
e justo padroeiro da Armênia
onde é cultuado, data vênia,
por fiés que precisam de ajudas.

É filho natural da Galiléia,
que veio a tornar-se Cesaréia.
Morreu na Pérsia. Junto a Simão

foi pregador, conforme a tradição,
na Iduméia e nas cercanias.
Duodécimo, Judas arrelias.

PFA/

quarta-feira, 5 de junho de 2019

F.S.DIVS . Joios, foice, colheita

Resultado de imagem para morte com a foice na mão


No redil das serpentes invejosas
jararacas trocavam gentilezas
elogiando as próprias fraquezas
pra nutrir suas flechas venenosas.

Desprezavam as múltiplas belezas
dos perfumados néctares das rosas
e orquídeas de cores glamourosas
eram manchadas por suas vilezas.

As consequências tardam mais não falham,
todos colhem os joios que espalham,
como frutos das suas negligências.

Autores de frequentes inclemências,
chegado o momento da colheita,
foice na mão, a morte lhes espreita.

PFA/

E-VIIAJ - Os apóstolos de Jesus 10

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10 – Simão, o Zelote

Décimo, Simão, o Zelote mor,
levou os Evangelhos à Espanha,
Àfrica, Ásia... à terra estranha
deu de si o que tinha de melhor.

Pregou, também, na Síria e Egito.
Por seguidores de crenças diversas,
com suas ações rudes e perversas,
muitas das vezes fora interdito.

Com idade já muito avançada,
porém firme na sua caminhada,
por não curvar-se ao deus Sol, na Pérsia,

embora haja certa controvérsia,
Zelote foi cerrado por inteiro.
Judas Tadeu, o décimo primeiro.

PFA/

terça-feira, 4 de junho de 2019

E-VIIAJ - Os apóstolos de Jesus 9

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09 – Tiago Menor

O nono foi Tiago, o Menor,
filho de Alfeu, em Jerusalém,
na Síria e ainda mais além
evangelizou todo derredor.

Era irmão, ou primo, do Senhor - Gl 1: 19
que, logo após à ressurreição, - 1º Co 15: 7
veio confiar-lhe uma missão
da qual se desincumbiu com louvor.

No concílio sobre os gentios - At 15: 13-19
os considerou crentes arredios,
portanto, mais carentes de ensinos.

Foi autor de alguns livros divinos
e morreu a pedradas, na pior.
Décimo, Simão, o Zelote mor.

PFA/

C-IVED - POR AMOR E RESPEITO AO CORDEL - II.

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NINGUÉM PRECISA SER PERFEITO, BASTA QUE SE FAÇA O POSSÍVEL.

O CORDEL AGRADECE PELO ZELO E ATENÇÃO QUE LHE DISPENSEM.













MÉTRICAS






01. O início

A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:
Repentista A – O cantor que pegá-lo de revés
Com o talento que tenho no meu braço…
Repentista B – Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e ponta-pés.

02. Parcela ou Verso de quatro sílabas

A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcela.
Eu sou judeu
para o duelo
cantar martelo
queria eu
o pau bateu
subiu poeira
aqui na feira
não fica gente
queimo a semente
da bananeira.
Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rapida mente o oponente. Esta modalidade é pre-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

03. Verso de cinco sílabas

Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:
Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala
Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão
Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

04. Estrofes de quatro versos de sete sílabas

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.
Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém
A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:
Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.

05. Sextilhas

Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:
Aberto
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.
Fechado
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.
Solto
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.
Corrido
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário
Desencontrado
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.

06. Setilhas

Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 – 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 – 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:
Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
– Quem é você, Cavalheiro –
– Moleque, sou cangaceiro –
Lampião lhe respondeu.
– Não senhor – Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.
Moleque não, sou vigia
e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
– Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.
Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas. Exemplos:
Cantador A
– Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou
Cantador B
– Você diz que não se engana
mas agora se enganou
Cantador A
– Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.
Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas
explicadas antes:
Cantador A –
Este verso não é seu
você tomou emprestado
Cantador B – 
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado
Cantador A –
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.

07. Oito pés de quadrão ou Oitavas

Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 – 1860) são órfãos:
Como são belos os dias
Do despontar da existência
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar – é lago sereno,
O Céu – Um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida um hino de amor.
Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:
Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

08. Décimas

As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:
Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

09. Martelo Agalopado

O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 – 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido desejado. Como exemplo, vejamos estes alexandrinos:
“Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste por viver no abandono,
fê-lo dormir logo um pesado sono
e lhe arrancou uma costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para secar um momento
mas por causa, talvez dum esquecimento
chegou um cachorro e a carregou,
nessa hora furioso Deus ficou
com a grande ousadia do animal
que lhe furtara o bom material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não sou mentiroso nem vilão,
nessa hora correu Deus atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva.”
Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:
Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza.
Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:
Tenho agora um martelo de dez quinas
fabricado por mãos misteriosas
enfeitado de pedras cristalinas
das mais raras, bastante preciosas,
foi achado nas águas saturninas
pelas musas do céu, filhas ditosas.

10. Galope à Beira Mar

Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:
Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar.
Logicamente que há o galope alagoano, à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: “Nos dez pés de galope alagoano”.

11. Meia Quadra

Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:
Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão
Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.
A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas.
No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.
Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mes mo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos, apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

C-IVED - POR AMOR E RESPEITO AO CORDEL - I

Resultado de imagem para CORDELISTA E REPENTISTAS

"Água mole em pedra dura tanto bate até que fura."

VALE A PENA LER, E APLICAR, AS SEGUINTES INFORMAÇÕES. É O MÍNIMO QUE SE ESPERA DOS POETAS LETRADOS QUE AMAM E RESPEITAM O CORDEL!

ESTA OBSERVAÇÃO NÃO INCLUI OS POETAS POPULARES CUJA MAESTRIA INATA LHES DOTA DA CAPACIDADE DE, INDEPENDENTEMENTE DE REGRAS, REVESTIR TUDO O QUE FAZEM DE SIMPLICIDADE E BELEZA INIGUALÁVEIS. 

O Cordel é, para quem não tem maiores informações, aquilo que é mostrado por cada um de nós. 
Nós somos o seu espelho refletor, tanto de primores quanto de horrores literários.

Ritmo no poema
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Ritmo apresenta-se de forma diferente no poema e na música, embora as duas artes apresentem afinidades e um tal parentesco histórico que chega-se a classificar um determinado gênero de poesia como lírico.
A música se rege pelo compasso, que é dividido em tempos.
O ritmo é representado, na pauta musical, pelas figuras (notas musicais e pausas).
No poema, há a figura da métrica que não é, como na música, uma regência implacável sobre o ritmo.
É o ritmo que dá beleza à música, na visão de muitos músicos, bem como ao poema, na visão de muitos poetas, como o simbolista francês Paul Verlaine, que em versos famosos diz: "Antes de tudo, música". Naturalmente, Verlaine se refere ao ritmo no poema, além dos efeitos sonoros que se pode atingir através do uso de vogais e consoantes. Aliás, o ritmo era caro a todo o Simbolismo.
O ritmo pode assumir importância tamanha no poema, que, mesmo um poeta vanguardista como Ezra Pound afirma que quando um poema se afasta muito da música, começa a degenerar. Também Maiakovski em "Como fazer versos" descreve como, a partir de uma percepção de um ritmo (como o do seu próprio caminhar), podemos transformar o ritmo em sons e palavras, logo em versos.
É interessante notar que, a partir da poesia do também simbolista Mallarmé, a noção de ritmo pode não estar mais alinhada à noção de verso, inclusive, podendo a distribuição espacial do texto poético na página determinar o seu ritmo de leitura, embora possa-se contestar a isto afirmando que esta distribuição espacial apenas delimite as pausas de leitura entre um verso (livre) e outro. Apesar da delimitação de pausas em uma página, explorando os seus espaços em branco e criando uma espécie de pauta, aí está o ritmo poético novamente.
Índice
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• 1Ritmo e métrica
• 2Métrica
• 3Pé
o 3.1Pés básicos
o 3.2Pés compostos
o 3.3Redondilha
o 3.4Decassílabo
o 3.5Hendecassílabo
o 3.6Dodecassílabo
• 4Prevalência do ritmo
o 4.1Rap
o 4.2Verso anapéstico
• 5Referência
• 6Ligações externas
• 7Ver também
Ritmo e métrica[editar | editar código-fonte]
A quantidade de sílabas determina a métrica do verso, enquanto a posição das sílabas tônicas lhe define o ritmo.
Alguns desses ritmos têm denominação própria.
Métrica[editar | editar código-fonte]
Paralelamente ao ritmo, em um poema, encontramos a métrica. Um poema de versos livres não obedece rigorosamente a uma métrica. Mas, para que seja agradável, pode ter em sua construção um ritmo, ou, de outra forma, se aproximará da prosa. No entanto, mesmo sem a existência do verso, uma prosa pode conter ritmo, como no caso da prosa poética de Uma estação no inferno, do poeta francês Arthur Rimbaud.
Ao contrário, um verso que obedece metricamente ao número de sílabas esperado nem sempre soa agradável, em função da posição das sílabas tônicas, que lhe dão o ritmo. Esse efeito de desconforto métrico pode, eventualmente, ser intencional por parte do poeta, como na poesia de Ezra Pound, que relaciona a isto o seu conceito de "dureza". Pretendia assim, o poeta, criar um ritmo menos melodioso, evitando desviar a atenção do leitor ou ouvinte do tema.
Em função do número de sílabas poéticas existentes, o verso é classificado, quanto à métrica, em:
1. Monossilábico;
2. Dissilábico;
3. Trissilábico;
4. Tetrassilábico;
5. Pentassilábico, ou Redondilha menor;
6. Hexassilábico;
7. Heptassilábico, ou Redondilha maior ou apenas Redondilha;
8. Octossilábico;
9. Eneassilábico:
10. Decassilábico;
11. Hendecassilábico;
12. Dodecassilábico;
13. Bárbaro, quando tem mais de 12 sílabas.
Um poema pode, no entanto, usar uma métrica mista, variando quanto ao número de sílabas entre um verso e outro, como em velhas cantigas medievais em galego-português. Pode, inclusive, com maior variação que estes, os quais alternavam a métrica dos versos com uma certa regularidade, usar de maior liberdade, alternando de forma mais assimétrica a contagem de sílabas poéticas. Desta forma, temos um poema que está a meio caminho entre o verso livre e o metrificado, porém com muito ritmo.
Pé[editar | editar código-fonte]
O pé é a unidade rítmica do poema.
Antigamente, o poeta recitava seus poemas acompanhado de lira ou marcando o ritmo com o pé, de onde lhe veio o nome.
Pés básicos[editar | editar código-fonte]
Os tipos básicos de pé, mais freqüentes, são:
• Troqueu ou Coreu: pé formado por uma sílaba longa (tônica) e uma breve (átona): porta;
• Jambo ou Iambo: pé formado por uma sílaba átona e uma tônica: portão;
• Dátilo: pé formado por uma sílaba tônica e duas átonas: pétala;
• Anapesto: pé formado por duas sílabas átonas e uma tônica: coração.
Pés compostos[editar | editar código-fonte]
A partir dos pés básicos, são construídos e conhecidos os pés compostos, ou metros, que são elementos estruturais criados pela junção de mais de um pé ou formações complexas.
São eles: [1]
• Espondeu: formado por duas sílabas longas;
• Molosso: três sílabas longas;
• Dispondeu: quatro sílabas longas (dois espondeus);
• Díbraco ou Pirríquio: formado por duas sílabas breves;
• Tríbraco: três sílabas breves;
• Proceleusmático: quatro sílabas breves;
• Báquio: uma sílaba breve e duas longas;
• Antibáquio ou Palimbáquio: duas sílabas longas e uma breve;
• Jônico duas sílabas longas e duas breves;
• Anfímacro ou Crético: uma sílaba breve entre duas longas;
• Anfíbraco: formado por uma sílaba longa entre duas breves;
• Coriambo: metro formado pela junção de um Coreu (ou Troqueu) e um Iambo;
• Antispasto: formado pela junção de um Iambo e um Troqueu;
• Dócmio: junção de um Iambo e um Crético;
• Hipodócmio: junção de um Troqueu e um Crético;
• Peônio: formado por uma sílaba longa e três breves, podendo a sílaba longa aparecer em qualquer das 4 posições, sendo chamado de Peônio de primeira, segunda, terceira ou quarta;
• Epitrito: formado por uma sílaba breve e três longas, podendo a sílaba breve aparecer em qualquer das 4 posições, a exemplo do Peônio.
Sinais representativos:
Sílaba longa : - (hífen) Sílaba breve: U (letra U)
Redondilha[editar | editar código-fonte]
O Heptassílabo, ou Redondilha maior, apresenta sílabas tônicas em posições variadas. Assim, essas sílabas tônicas podem aparecer com o seguinte arranjo:
• 2, 4, 7;
• 2, 5, 7;
• 3, 5, 7;
• 4, 7;
• 3, 7.
A primeira e a sexta sílabas devem sempre ser breves ou átonas, para que o ritmo seja agradável. A tonicidade caindo em uma dessas posições modifica o ritmo, formando o que se denomina "verso de pé quebrado".
Decassílabo[editar | editar código-fonte]
Heróico
Apresenta obrigatoriamente sílabas tônicas nas posições 6 e 10. Uma outra sílaba tônica (ou mais de uma) pode aparecer na posição 2 ou 4.
Sáfico
Apresenta sílabas tônicas obrigatoriamente nas posições 4, 8 e 10.
Obs.
Os poemas com versos decassílabos em muitas ocasiões misturam os ritmos heróico e sáficos em uma mesma estrofe. Longe de quebrar esse ritmo, a sua composição assim mista se complementa.
Ex:
"Feixes de prata sobre a minha fronte,
Calças de chumbo pesam-me nos passos,
Olhando os campos, vejo os vultos baços,
Cuja paisagem perco no horizonte.
(“Meu tempo” – Carlos Severiano Cavalcanti)
Pentâmetro iâmbico
Apresenta tonicidade em todas as sílabas pares, ou seja, é a junção de cinco iambos. Na prática, é a mistura do ritmo sáfico com o heróico. Iâmbo= breve/longo ou seja átona/tônica ex. a-té
Martelo agalopado
É uma variação do verso heróico. Caracteriza-se por apresentar sílabas tônicas nas posições 3, 6 e 10, ritmo em galope, característico dos versos compostos por anapestos.
É composto por dois anapestos e um peônio de quarta, ou por dois anapestos e dois iambos. Neste caso, apresenta também tônica na posição 8.
Gaita galega
Também chamada Moinheira[2], é o decassílabo que apresenta sílabas tônicas nas posições 4, 7 e 10.
De rara apresentação nos poemas latinos, aparece, no entanto, algumas vezes em letras de música.
Ex:
"Deixa a cidade, formosa morena,
linda pequena, e volta ao sertão,
beber da água da fonte que canta,
que se levanta no meio do chão."
("Chuá-chuá" - Pedro de Sá Pereira e Ary Machado)
Hendecassílabo[editar | editar código-fonte]
O verso hendecassílabo tem esquema rítmico quase uniforme. Sua forma mais utilizada (entre os cantadores do Nordeste do Brasil), é o Galope à beira-mar. Caracteriza-se por apresentar as sílabas tônicas nas posições 2, 5, 8 e 11. É formado por um iambo e 3 anapestos.
Iâmbo= breve/longo ou seja átona/tônica ex. a-té
Anapesto: pé formado por duas sílabas átonas e uma tônica: coração.
Dodecassílabo[editar | editar código-fonte]
Nos versos dodecassílabos sobressaem-se dois ritmos:
Trímetro peônico
• Caracteriza-se por apresentar sílabas tônicas nas posições 4, 8 e 12, numa junção de 3 peônios de quarta.
• Peônio: formado por uma sílaba longa e três breves, podendo a sílaba longa aparecer em qualquer das 4 posições, sendo chamado de Peônio de primeira, segunda, terceira ou quarta;
Ex:
"De manhãzinha, quando eu sigo pela estrada,
minha boiada pra invernada eu vou levar.
São dez cabeças, muito pouco, é quase nada,
mas não tem outras mais bonitas no lugar."
(“Boiadeiro” – Armando Cavalcanti – Klécius Caldas)
Alexandrino
Utilizado por sonetistas, que lhe dão preferência depois dos decassílabos.
Caracteriza-se por apresentar uma divisão ao meio, a cesura, mostrando dois hemistíquios, ou seja, o verso dodecassílabo pode ser dividido em dois hexassílabos. Tem sílabas tônicas nas posições 6 e 12, obrigatoriamente.
Cada hemistíquio, por sua parte, pode apresentar tônicas nas posições 3 e 6, ou 4 e 6, ou 2 e 6, ou ainda 2, 4 e 6. A interação rítmica entre os dois hemistíquios é que vai dar maior ou menor beleza ao alexandrino. Ex:
"Vento vai... vento vem... sou escravo do vento,
ansioso que sou pr’encontrar meu amor.
Corro solto e veloz, onde esteja, onde for,
à procura de quem me emprestou sentimento
...
("Ao açoite do vento" - Paulo Camelo)
Prevalência do ritmo[editar | editar código-fonte]
A métrica é utilizada na construção poética tendo-se sempre por meta e fim o ritmo.
Muitos, por conta disso, dão valor ortodoxo à métrica. No que não estão errados, se puderem considerar formas métricas menos regulares como portadoras de métrica, pelo simples fato de possuírem ritmo. Há casos em que o ritmo sobrepuja a métrica.
Quando o ritmo do conjunto se impõe sobre o ritmo individual do verso, podemos encontrar poemas com métrica variada, onde a sílaba átona de paroxítono final pode se unir à vogal da primeira sílaba do verso seguinte, compondo um todo e não partes individualizadas do todo.
Poemas cantados (como o martelo agalopado) carecem muito mais desse ritmo holístico, para que o cantador não quebre, ao fim de cada verso - ou de um ou outro verso – o ritmo cadenciado e forte do martelo.
Há que se entender, também, que o ritmo deve permitir a inspiração entre a pronúncia de algumas sílabas, para que o declamador do poema não se precipite ou perca a respiração, prejudicando a apresentação.
O poeta norte-americano Allen Ginsberg cria o conceito de "fôlego", retirado de suas leituras dos versículos bíblicos, que como bem demonstra o poeta, linguista e tradutor da Bíblia Henri Meschonnic, determinada seu ritmo pela respiração. por outro lado, poemas de Ginsberg como Howl (Uivo), são formados por "versos" intermináveis, que mais se assemelham na página à parágrafos, num ritmo alucinante, onde poderíamos perder facilmente o fôlego, caso não encontremos o ponto exato de inspirar na tentiva de nos atermos à noção de verso em uma leitura em voz alta.
Em alguns poemas podemos encontrar – vez ou outra – um verso com uma sílaba a menos ou a mais. Produto da ação descuidada ou proposital do poeta, esse verso muitas vezes está ali cumprindo um papel de manter o ritmo do conjunto. Visto isoladamente, notamos sua suposta anomalia. Porém, no conjunto, ele passa despercebido aos olhos menos aguçados, e é realçado aos de um cultor do ritmo.
Exemplo
"Estava à toa na vida,
o meu amor me chamou
pra ver a banda passar
cantando coisas de amor.
A minha gente sofrida
despediu-se da dor
pra ver a banda passar
cantando coisas de amor."
(“A banda” – Chico Buarque de Hollanda)
Neste exemplo, um poema em redondilhas, encontramos o sexto verso com apenas 6 sílabas métricas. No entanto, seu declamar (e seu cantar) demonstra ser ritmicamente uma redondilha, com a utilização da sílaba átona restante do verso anterior.
Casos há, ainda, em que uma sílaba átona de um verso suprassilábico toma seu lugar como sílaba átona restante do verso anterior. Esta sílaba, conhecida como anacrusa, ao ser colocada em sua posição na declamação ou no canto, restabelece a métrica rítmica.
Exemplo
"Eu vou mostrar pra vocês
como se dança o baião
e quem quiser aprender
é favor prestar atenção."
(“Baião” – Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)
Rap[editar | editar código-fonte]
Exemplo forte de prevalência do ritmo sobre a métrica é o poema ritmado denominado Rap, onde a métrica não tem nenhuma importância. Apenas o ritmo. Apesar de ser declamado, o Rap comporta-se como se fosse musicado, marcado por uma percussão. É, talvez, o exemplo mais marcante da ascendência da música sobre o poema, embora não exista diferença, a princípio, entre a origem do conceito de "pés" e a idéia da fala estar acompanhada por qualquer outra marcação rítmica.
Também se aproximam desta maneira de produzir ritmo o blues e muitos tipos de "repentes" brasileiros.
A poesia de Walt Whitman também demonstra, como na Ode triunfal de Fernando Pessoa, de estilo semelhante à poesia do norte-americano a inexistência da métrica.
O que ocorre nestes poemas, é que há uma prevalência de ritmos naturais da fala sobre os ritmos mais musicais ou metrificados, enquanto em outras obras poéticas é possível uma mescla de todos estes tipos de ritmos.
Exemplo do RAP
"Deixe que digam,
que pensem, que falem,
deixe isso pra lá,
vem pra cá, que é que tem?
Eu não estou fazendo nada,
você também...
Faz mal bater um papo
assim gostoso com alguém?"
(“Deixe isso pra lá” – Alberto Paz e Edson Menezes)
Verso anapéstico[editar | editar código-fonte]
O verso anapéstico é o verso ritmado apenas por anapestos, embora a métrica nem sempre se apresente assim.
Nesses casos, podemos encontrar no poema sílabas mudas, silêncios ou pausas, como os há na música, que mantêm o ritmo de anapesto em todo o poema. Encontramos, também, a transposição de sílabas átonas para o verso imediatamente anterior ou posterior, para a manutenção do ritmo.
Poemas assim ritmados apresentam misturas de métricas, como hendecassílabos e dodecassílabos alexandrinos, em uma mesma estrofe e em seu todo.
Referência[editar | editar código-fonte]
1. Ir para cima↑ CAMPOS, GEIR. Pequeno dicionário de arte poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
2. Ir para cima↑ A Moinheira é um ritmo galego cujas músicas são tocadas por um tipo de gaita de fole, a Gaita Galega.
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
• O ritmo, a métrica, o pé
Ver também[editar | editar código-fonte]
• Soneto
• Rima
• Ritmo
• Martelo_agalopado
• Métrica (poesia)
• Versificação
• Literatura de cordel
• Redondilha
Categorias:
• Formas poéticas
• Poesia
• Ritmo
• Teoria da poesia moderna