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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pi Lula

Pária infame, lodo social,
Escória sem nenhum valor real,
Um bonito garoto, com origem
Devota de Maria, a Sempre Virgem.

Era um vilarejo sem futuro,
As casas sem reboco e sem muro,
Não havia luz, água nem esgoto,
Tudo nele parecia nascer roto.

Pi Lula jamais se ligou na escola,
Mas, sempre carregava uma sacola,
Não para levar livro nem caderno,

Parecia cria inata do inferno,
Aonde chegava, a tudo surrupiava!
Foi morto em Sampa, enquanto trabalhava!

PFA/30.04.2012





Boa noite

Deixo a janela aberta pra que o vento
leve até Morfeu meu último alento
E areje o quarto com seu doce açoite.
Estou cansado, vou dormir, boa noite!

Na minha prece vou pedir, ao deus
Dos sonhos, para unir os meus aos teus,
A fim de que, na dupla fantasia,
Tornemo-nos eternos por um dia.

Deitado, e enquanto aguardo o sono,
Vejo a estrela que no último outono
Testemunhou os nossos juramentos,

Por ela, vou mandar-te muitos beijos
E um pouco da ânsia dos desejos
Que te eternizam nos meus pensamentos.

PFA/30.04.2012

sábado, 28 de abril de 2012

Solidão

Desacompanhamento? Nada mais?
Lembranças do que não virá jamais?
É insimesmamento absoluto?
Desespero que nos cobre de luto?

Ansiedade já sem esperanças?
Desilusão repleta de lembranças?
Amor intenso, não correspondido?
Decepção porque é incompreendido?

Sentimento nefasto de revolta?
Tédio pelo que se foi e não volta?
Isolamento e mal proposital?

Egoísmo cruel com fim fatal?
Enfado de viver na frustração?
Não, é falta de Deus no coração.

PFA/28.04.2012

Transposição




Transposição do Rio 
São Francisco, obra

i n a c a b á v e l.






Nosso país requer transposição,
uma transposição de sentimentos
onde a mente vire coração
e o descaso vire envolvimentos.

Tanta água indo embora para o mar...
tanta gente com sede, a sofrer...
Por que tantas desculpas pra deixar
nordestinos sem água pra beber!

Se se transpusesse a situação
e a água que falta no sertão,
de repente, faltasse lá em baixo,

Mais que depressa se faria um riacho
para se trazer água do Amazonas
e abastecer, no Sul, todas as zonas.

PFA/28.04.2012

Crianças

Conhecemo-nos ainda crianças,
Envolvidos em sonhos e esperanças
Começamos as nossas aventuras
Estribadas em falsas conjecturas.

Os nossos sentimentos afloraram
E, prematuros, os frutos brotaram
Sem resistência que lhes permitissem
Vencer aos males que os afligissem.

Foi tudo muito intenso e frenético,
Cômico até, se não fosse patético,
Um casal, plenamente dependente,

Querendo tornar-se independente
E, sozinho, seguir o seu destino.
Foi duro, fiz-me adulto inda menino!

PFA/28.04.2012

Imaginação

Pensar pequeno faz-nos regredir,
Fomos criados para progredir.
Imaginação, qual o seu limite?
Limite?! O infinito não o admite!

Há na imensidão da natureza
Limites para a sua grandeza?
Certamente que não, limitação
Só pra vítimas de inanição.

Deus está para cada um dos seus
Assim como os seus estão pra Deus,
Buscou encontra, pode ter certeza!

O Infinito na sua grandeza
Disponibilizou-nos o Universo
Para que conheçamos o diverso.

PFA/28.04.2012

Mudo, sim!

– Mudo, sim! Eu não sou burro! Sensato.
Pra que cercar-se de falso aparato
Para sustentar o insustentável,
No Universo, tudo é mutável!

Bater o pé, fechar questão, brigar,
Ferir, não abrir mão e extremar,
São as atitudes mais radicais
E, certamente, as mais bestiais.

Mudar é progredir, é crescimento,
A transformação gera envolvimento,
Quando fundamentada na razão,

No bom censo, na luz da percepção.
O Senhor dotou-nos de inteligência
Limitada só pela Sua onisciência.

PFA/28.04.2012

A Lei

Lei revogada é lei que não existe,
Ser e não ser é coisa que inexiste!
Eu sou, ele é, têm definição,
Tudo explicito, sim: sim; e não: não!

Que a opção definida prevaleça
E a sem solução desapareça,
Se é Sábado ou se é Domingo,
Vamos obedecer sem choramingo!

– Domingo! É o seu entendimento?
– Sábado! É o seu convencimento?
Então, respeite a sua convicção,


Você só tem que ser: sim: sim; não: não!
Mas, se você não é carne nem é peixe,
E recebe censuras, não se queixe!

PFA/28.04.2012

Tu e eu

Eu sou o cesteiro e tu és o cesto,
Se eu poso de galo, tu és a rinha,
Quando eu sou a idéia tu és o texto,
Eu sou todo teu, mas, tu não és minha!

Entre beijo e flor e beija-flor
A conivência é fundamental,
Eu sou o beijo e tu és a flor,
No entanto, o sentimento é desigual!

Eu te amo e tu me queres, é díspar,
Diverge entre si, querer não é amar!
Mas, nem só de amor vive o homem,

Fazem parte as tristezas que o consomem!
Nossas desigualdades amorosas
Têm espinhos, mas, são como as rosas.

PFA/28.04.2012

Nada, não!

Eu posso tudo, só não posso nada!
Posso tudo, se tenho convicção!
Convicto, a falha será perdoada,
Para a ignorância há perdão!

Não posso ficar em cima do muro,
A convicção requer uma escolha,
Posso escolher guerra ou lugar seguro,
Chutar ou preservar a nossa “bolha”.

Indiferença não, tenho que agir
E o meu entendimento refletir,
Mesmo uma ameba não fica parada!

Conseqüências virão, muitas ou nada,
Boas ou ruins é tudo natural,
Sou parte do contexto universal!

PFA/28.04.2012