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sábado, 10 de janeiro de 2015

Tamandaré ao por do Sol



Por entre os coqueiros, a fogueira,
de vermelho cinzento, cobre o Céu
e espraia-se em grande fogaréu
que se reflete na praia inteira.

O dia sangra, pra depois morrer,
o brilho do Sol jaz e se esmaece
e em seguida tudo escurece
até o novo dia amanhecer.

Ao contemplar o magno espetáculo,
agradeço a Deus, o sustentáculo
da excelsa beleza universal,

e sinto-me no espaço sideral
assistindo a Terra assistir
o fogaréu do Sol se esvair.

PFA/

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Ônus da liberdade



Eu resolvi tornar-me independente
achando que seria mais feliz,
convencido de ser inteligente,
vejam só a bobagem que eu fiz.

Inventei de cuidar da minha mala,
logo veio a ameaça duma pisa,
fui proibido de deixar na sala
meia, sapato, calça e camisa.

Pra tudo tem lugar determinado,
o shampoo,  sabonete, a toalha…
o guarda roupa sempre arrumado…

Analisando prós e conseqüência,
eu me senti no fio da navalha,
então, abri mão da minha independência.


PFA/

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Falsos amigos

São tantos que é difícil mensurar,

de boca aberta, prontos pra morder,
são piranhas, sem nada a perder,
a espera de quem possam atacar.

Mostram os dentes em largos sorrisos,
bajulam com palavras escolhidas
e estão sempre de mãos estendidas
com gestos calculados e precisos.

Outra propriedade do vilão
é não perder qualquer ocasião
pra se envolver com numerário.

No círculo das suas relações,
pondere bem os prós e os senões,
pra não cair no conto do vigário!

PFA/

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Tamandaré












A paz sem custo e sem protocolo!
Sentado em frente à beira do mar,
o vento brando para refrescar
e meu computador posto no colo;

cadeira posta à sombra dos coqueiros,
cercado de beleza natural,
das garças vem o fundo musical
só encontrado nos campos pantaneiros;

enquanto isso, dois sabiás se amostram,
diante dos meus olhos que se prostram
para, ao seu desfile, assistirem.

A seguir, se os anjos permitirem,
faço uma pausa para almoçar
e me recolho para descansar.

Afinal, ninguém é de ferro!


PFA/

Ausência materna


– Mãezinha, eu te amo tanto, tanto…
E, Cláudia, desmanchando-se em pranto:
– Oi Fernanda, mamãe também te ama!
E seu amor, em lágrimas, proclama.

O diálogo segue animado
com juras de um e do outro lado:
–  Falta três dias pra mamãe chegar…
mamãe jura… jamais vou te deixar!

–  Ruan e Raul vão falar contigo!
– Passe pra eles… (vou ver se consigo).
– Oi filhos… mamãe vai… Todos sofriam!

–  Desliguem que depois a mamãe liga!
Alguns segundos e Cláudia desliga,
enquanto suas lágrimas caíam.


PFA

Pau Torto



Se nasceu torto, deixe como está,
o pau que nasce torto morre torto”,
e permanece torto, mesmo morto,
quanto menos mexer, melhor será!

Tenho feito de tudo pra mudar,
mas, nasci torto, não há muito a fazer,
por mais que me esforce pra crescer,
não consigo, em nada, melhorar!

Os dias passam, o cerne piora,
a minha ignorância me domina
e meu querer, mais e mais, se amofina.

E assim, aproxima-se a hora
em que, certo ou torto, vou partir
e dar contas de tudo que vivi.

PFA




O andarilho da 232 -


Eu sempre o encontro, indo ou vindo,
Com um “matulão” nas costas pendurado.
No estradão, descendo ou subindo,
Chova ou faça sol, come o seu bocado.

Eu sempre quis saber o seu destino,
Pois, não se cansa de ir, nem de vir.
Parece teimosia de menino
Ou burro quando cisma pra não ir!

Decidi. Parei e o cumprimentei:
Bom dia, quer carona, donde vem?
Pareceu não entender o que perguntei!

Pensou e me respondeu: – Do além.
Aliais, eu não venho, estou indo.
Vou para o lugar donde estou vindo.

PFA/

sábado, 3 de janeiro de 2015

Ponto fraco


Pai, eu nada preciso Te rogar,
os Teus atos confirmam esta tese,
não obstante o meu pedido pese,
não há necessidade de implorar.

Por amor, Tu me dás, sem que eu peça,
muito… muito… mais do que eu careço
e muitíssimo… mais do que mereço,
tudo fazes e não há quem Te impeça!

Por tudo, só me resta agradecer,
dando a mão a quem esteja a carecer
de luz, compreensão, amor e pão;

contudo, Te imploro altruísmo
que ajude a vencer meu egoísmo,
ao expressar a minha gratidão.

PFA/

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Confiança




Confiança não se compra, se conquista!
Não é mercadoria, não se empresta,
não se toma, nem prende, nem arresta; 
nem se vende, a prazo, nem à vista!

Leva-se tempo para conseguir 
e não tem prazo para validade;
é pessoal e, na realidade,
raramente se pode transferir.

É pedra preciosa lapidada
que requer ser tratada com apreço,
pois se, casualmente, for quebrada,

dificilmente vai se recuperar.
Confiança não é jóia cujo preço
é possível a gente barganhar!


PFA

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Um de Janeiro, a partida


 A vida continua, vá em frente,
o que passou não vai voltar, jamais,
se não esta contente, busque mais,
tchau ao passado e viva o presente.

No ano novo, uma vida nova,
quem vive de passado é museu,
dos idos, fica o que se aprendeu,
a cada dia a vida se renova!

O seu limite é o infinito,
parta em busca do que for bendito
e acredite, sempre, na vitória!

Embora todos não alcancem glória,
só aos que lutam é dado vencer,
quem não lutar, por certo, vai perder!


PFA/